Amancio Ortega e Macquarie avançam na compra da Qube, que votará na terça-feira se aceita a oferta de 7.000 milhões
O grupo australiano comunica a obtenção de novas autorizações de terceiros e das autoridades de concorrência, e anuncia um dividendo extra para adoçar a venda
O fundador da Inditex, Amancio Ortega, durante o concurso de saltos internacional da Corunha, enquadrado de forma excecional no Longines Global Champions Tour, campeonato de referência no panorama equestre que enfrenta a primeira das suas três jornadas em Casas Novas- EFE/Cabalar
A aposta de Amancio Ortega pelo grupo logístico e portuário Qube chega a um momento decisivo. A companhia australiana confirmou que na próxima terça-feira, 16 de junho, realizará a assembleia em que os acionistas votarão se aceitam a oferta de cerca de 7.000 milhões de euros da Macquarie, Pontegadea e Unisuper para adquirir 100% do grupo. O holding do fundador da Inditex, caso a operação avance, desembolsaria cerca de 697 milhões de euros para ficar com 15% do capital, enquanto o grupo de investidores liderado pela Macquarie teria a maioria, com 60% das ações. Os 20% restantes estariam nas mãos da Unisuper, que já é um dos acionistas de referência do operador australiano.
Qube confirmou que mantém a data prevista para a votação devido aos avanços no processo de obtenção das numerosas licenças e autorizações que a transação requer. Especificamente, a companhia informou da aprovação da Comissão Independente de Concorrência e Consumo de Papua Nova Guiné; além disso, acrescenta a obtenção da “maioria” dos consentimentos de terceiros vinculados a determinados contratos que também são necessários para fechar a operação.
Estão em processo de tramitação outras três aprovações regulatórias: a da Junta de Revisão de Investimentos Estrangeiros (FIRB) da Austrália, a Escritório de Investimentos no Exterior (OIO) da Nova Zelândia e a Comissão Australiana de Concorrência e Consumidores (ACCC), conforme informou a Qube. Se os acionistas aceitarem majoritariamente a oferta da Macquarie, Pontegadea e Unisuper, agrupados na sociedade compradora Rubik Australia Pty, será necessária uma nova aprovação da Corte Suprema de Nova Gales do Sul, que já deu o aval inicial para que a votação ocorra.
“Em vista do progresso no cumprimento das condições prévias chave, a Qube tem a intenção de manter a data atual para a Assembleia Geral de Acionistas”, diz o grupo logístico e portuário, que faturou quase 2.400 milhões de euros em seu último exercício completo. Após a reunião de acionistas da companhia na próxima terça-feira, ocorrerá a assembleia do fundo Unisuper, que detém 15% das ações, mas não vota, por fazer parte do grupo comprador.
Qube abre o caminho para Amancio Ortega
O conselho de administração da Qube há tempos recomendou aos acionistas aceitar a oferta da Macquarie, Pontegadea e Unisuper, que oferece um prêmio de 27,8% sobre o preço de fechamento das ações em 21 de novembro passado, o dia anterior à apresentação da oferta, e representa uma avaliação de 14,5 vezes o ebitda. Em sua última comunicação, reafirma sua recomendação e confirma o pagamento de um dividendo extra para adoçar a operação. Confirma… mais ou menos.
A Qube indica que pretende pagar um dividendo especial de 0,3465 dólares por ação assim que a venda for aprovada, que se somaria ao de 4,8 dólares fixado para a operação. Contudo, esse pagamento adicional fica, em última instância, “à inteira discrição do conselho de administração da Qube”, que também solicitou um relatório à Receita Federal sobre o tratamento fiscal da remuneração que os acionistas receberão e que espera, segundo indica, que possam acessar créditos fiscais no valor de até 0,1485 dólares por ação na tributação do dividendo adicional.
Os movimentos do conselho, além de seu posicionamento público, convidam os acionistas a deixarem o caminho livre para o novo grupo investidor.
Da Austrália a Luxemburgo
Se a transação for concluída, Amancio Ortega controlará seus 15% da Qube a partir de Luxemburgo, a nova grande base de operações do homem mais rico da Espanha para seus investimentos internacionais. Executará a aquisição com a sociedade Pontegadea Logistics Holdings, que por sua vez depende de outra sediada no ducado, Pontegadea Shareholdings Luxembourg, que é a proprietária de sua participação na PD Ports. O investimento não será realizado diretamente, mas por meio de uma injeção no holding australiano Rubik Australia Holdings, que por sua vez é dono da Rubik Australia Pty, a sociedade que concretizará a compra.
O fundador da Inditex, uma vez consumada a operação, somará sua participação na Qube a uma já longa lista de investimentos fora do setor imobiliário, entre os quais estão o grupo de estacionamentos Q-Park; Telxius, Enagás, Redeia, REN, PD Ports e os projetos renováveis que compartilha com a Repsol.