Comissões Operárias critica a Navantia e pede mais investimentos e um plano de emprego
O sindicato critica o Plano Estratégico 2026-29 da empresa pública ao considerar que "as soluções passam por ajustes organizacionais, flexibilidade laboral e reorganização do quadro de pessoal"
O presidente da Navantia, Ricardo Domínguez, durante um ato nos estaleiros de Ferrol / Navantia
CCOO volta à carga contra Navantia. O sindicato denunciou esta quarta-feira que o Plano Estratégico 2026-2029 da empresa pública repete uma fórmula antiga, baseada em grandes anúncios, objetivos “inflados, muita propaganda e, mais uma vez, o pessoal colocado no centro dos sacrifícios”.
Desde Comissões Operárias apontam que o próprio documento reconhece “problemas estruturais” que CCOO vem denunciando há anos, como a subatividade, a dependência de decisões políticas, elevados custos na organização estrutural da empresa sem benefício econômico e ausência de um planejamento industrial estável.
“O grave é que, mais uma vez, as soluções passam por ajustes organizacionais, flexibilidade laboral e reordenação do pessoal, ou seja, por transferir e aumentar a pressão sobre as pessoas trabalhadoras em vez de enfrentar o verdadeiro debate de fundo: que modelo industrial necessita Navantia e se existe um compromisso real para sustentá-lo”, reprova o sindicato em comunicado.
É por isso que Comissões Operárias exigiu à SEPI transparência para evitar uma “privatização encoberta” da empresa pública, assim como um rejuvenescimento do pessoal mediante o aumento da contratação de pessoal próprio para evitar a perda de conhecimento e mão de obra, e clareza nos investimentos, que devem ser garantidos por orçamentos “firmes e claros” para uma modernização que assegure a competitividade com estaleiros de ponta.
Paralelamente, desde CCOO também consideram “inaceitável” o fato de que, a seu ver, não exista vontade real de negociação com os representantes dos trabalhadores, dado que o plano estratégico foi entregue com apenas alguns dias de margem. “É evidente que a direção menospreza o diálogo social, a participação e a negociação. Apenas querem cumprir o expediente”, reiterou.
A volta com os números do plano da Navantia
Segundo CCOO, o plano vende objetivos ambiciosos como duplicar receitas, aumentar margens, crescer em emprego e alcançar uma alta ocupação industrial, mas o próprio texto admite que tudo isso depende de fatores externos como programas do Ministério da Defesa, decisões da UE ou a evolução geopolítica.
Também se insiste, acrescentou o sindicato, na redução de custos, diminuição de pessoal indireto, aumento da eficiência e transformação digital, o que, a seu ver, se traduzirá em mais pressão produtiva, reorganização de postos, risco de precarização e mais espaço para a externalização encoberta.
“CCOO tem claro: sem um plano de emprego, sem investimentos, sem formação real e sem participação do pessoal, tudo é puro escaparate. Muita tecnologia no papel e pouca melhoria produtiva”, denunciou o sindicato, que acrescentou que o futuro da Navantia não pode ser construído “contra seus trabalhadores e trabalhadoras, nem à margem de sua representação sindical”.