Copasa negocia com “várias empresas” um consórcio para disputar outro contrato de alta velocidade na Arábia Saudita
A empresa expressou o seu interesse no projeto do Governo saudita para conectar Riad com Qiddiya, juntamente com empresas como Renfe, Talgo, Siemens, Vinci ou Indra, todas integrantes do consórcio por trás do AVE a Meca
José Luis Suárez, presidente da Copasa
Em setembro do ano passado, a Arábia Saudita lançou um convite a empresas nacionais e internacionais para participar do projeto ferroviário de alta velocidade que ligaria a capital, Riad, com Qiddiya, o megaprojeto urbano e de entretenimento com o qual o país busca diversificar sua economia além do petróleo. A essa fase inicial de manifestação de interesse apresentaram-se quase 150 empresas, entre elas Copasa, que atualmente “está em conversas com várias empresas para formar um consórcio”.
Fontes da companhia presidida por José Luis Suárez apontaram a Economía Digital Galiza que estão em negociações com outras empresas “que possam cumprir com todas as especialidades requeridas (construção de plataforma, via, catenária, sinalização, fornecimento de trens, operação e manutenção)”. “Se conseguirmos formar um consórcio sólido, apresentaremos oferta para este projeto”.
O trem de alta velocidade alcançará uma velocidade máxima de 250 quilômetros por hora e conectará os destinos em 30 minutos.
A essa expressão de interesse lançada pela Comissão Real para a Cidade de Riad (RCRC), em associação com o Centro Nacional de Privatização e PPP (NCP) e Qiddiya Investment Company (QIC), também se apresentaram outras empresas, que tal como Copasa, já têm experiência em alta velocidade na Arábia Saudita como Renfe, Talgo, Siemens, Vinci ou Indra. Todas elas, tal como a firma galega, fazem parte do consórcio do ‘AVE a Meca’.
Outra das empresas que também manifestou seu interesse foi Alsa, a empresa fundada pelo empresário asturiano José Cosmen Adelaida, que se adjudicou no início de outubro o contrato de 500 milhões de euros para operar os ônibus que circularão por Qiddiya, cidade de nova criação completamente orientada ao turismo, o desporto e a cultura, que inclui.
Entre outros, a cidade inclui doze parques de diversões, várias praias artificiais, um circuito de Fórmula 1 ou um estádio de futebol, que será uma das sedes do Mundial de Futebol de 2034.
Até 2038 com o AVE a Meca
Este fim de semana o ministro dos Transportes, Óscar Puente, anunciava desde Riad uma operação de mais de 2.800 milhões para empresas espanholas na Arábia Saudita que supunha a continuidade do Renfe como operadora durante cinco anos mais do projeto Haramain, trem de alta velocidade que conecta Medina e Meca ao longo de 453 quilômetros de via, com uma velocidade máxima de 300 quilômetros por hora.
Da companhia de Ourense destacam que a assinatura do acordo “supõe cinco anos adicionais de contrato de manutenção de via, até o 2038”. “Isso demonstra que o cliente está avaliando muito positivamente o trabalho desenvolvido pelo consórcio. Os dados de operação são muito bons, o número de passageiros aumenta de forma sustentada e o índice de pontualidade supera os 97%”.
Segundo dados do Ministério dos Transportes, Renfe alcançou em 2025 um recorde de viajantes com quase 10 milhões, superando os 9,1 milhões que haviam alcançado em 2024, “demonstrando a tendência ascendente da linha Meca-Medina”.
Essa adenda assinada ao contrato inicial, que vencia o próximo 2033, implica para o Governo Saudita uma faturação pelos serviços de operação e manutenção de 300 milhões de euros ao ano, pelo que a ampliação por cinco anos suporá uma cifra de 1.500 milhões.
A ampliação do contrato também contempla a adjudicação a Talgo da fabricação e a manutenção de 20 novos trens de alta velocidade para Saudi Arabia Railways (SAR), na linha que conecta as cidades de Meca e Medina. Este novo pedido supõe um desembolso de 1.332 milhões que elevarão seu portfólio de pedidos até um nível recorde de aproximadamente 6.000 milhões, segundo trasladaram desde a própria companhia.
Infraestrutura para o projeto
No início de 2012 as autoridades sauditas e o consórcio espanhol ratificaram a firma do contrato para a construção e posta em funcionamento do trem de alta velocidade do trem de alta velocidade entre Meca e Medina com um orçamento inicial de 6.736 milhões. Segundo os meios locais, o custo total do projeto elevar-se-ia até os 16.200 milhões de euros.
Para empreender o projeto a companhia de Ourense deslocou pessoal e maquinaria para encarar o projeto além de levantar suas próprias infraestruturas como, uma fábrica de dormentes, uma planta de canaletas, pedreiras de balastro e um centro de solda.
Consultados pela ocupação atual dessas instalações, desde Copasa explicaram a este meio que “as plantas de dormentes e canaleta continuam no projeto Meca-Medina à espera de poder dá-las uso em algum projeto futuro”.
Por sua parte, as diferentes pedreiras de balastro utilizadas durante o projeto “já não se encontram sob nosso domínio, por se tratar de acordos temporários com proprietários locais que nos permitiram a exploração. Uma vez terminada a obra e acumulado o suficiente balastro para seu uso durante a manutenção, demos por finalizados esses acordos”.
Por último, a planta de solda de trilho “foi revendida ao seu fornecedor inicial” ao finalizar a obra.