Ence, Altri e Navigator iniciam a tímida recuperação das papeleiras na bolsa após o tombo de 2025
Os três grupos, compradores de eucalipto na Galiza, sobem mais de 5% na bolsa no que vai do ano com a expectativa da recuperação dos preços e, no caso da empresa espanhola, impulsionada pela maior remuneração à sua atividade energética
Da esquerda para a direita, Ignacio de Colmenares (Ence), Antonio Redondo (Navigator) e José Soares de Pina (Altri)
O Brasil está muito longe, mas alguma boa notícia chegou de lá até as papeleiras ibéricas, que levam um ano decaídas pela depressiva evolução dos preços da celulose e esperando uma recuperação que se vê prejudicada pela sobre capacidade operativa no mercado, especialmente na China. Do outro lado do Atlântico, a maior papeleira do mundo, Suzano, superou as estimativas dos analistas, disparou 13% na bolsa e enviou uma mensagem de otimismo, moderadamente otimista ao menos, sobre a evolução do mercado.
A companhia disse, na conferência com analistas, que o começo do ano arrancou com uma forte demanda na China, um 27% maior em comparação com 2025, e sem que aumentem os estoques no país asiático. Também avançou que esperam uns preços maiores da polpa e uma melhor rentabilidade do papel no primeiro trimestre do exercício. Acrescentou que previa manter os volumes de produção de polpa estáveis para este ano.
O cenário que vislumbra o gigante brasileiro é algo melhor que o desenhado desde a Finlândia por Stora Enso há uma semana, quando lamentava a volatilidade e a incerteza de um mundo tensionado politicamente, e vaticinava preços estáveis e, portanto, baixos durante o exercício. Esses preços baixos marcaram o 2024 e provocaram o colapso na bolsa de Ence e das portuguesas Altri e Navigator, companhias que compram eucalipto dos montes galegos. A papeleira com planta em Pontevedra recuou 22%; a companhia que projeta uma fábrica de fibras têxteis e polpa solúvel em Palas de Rei registrou uma queda de 14%; e a maior papeleira lusa caiu 12%.
Em 2026, todas elas, também Suzano e Stora Enso, valorizam-se no mercado de ações, esperando uma recuperação dos preços ao longo do ano que, se acontecer, prevê-se moderada e sem rally, salvo que ocorra alguma parada significativa ou corte de capacidade.
A ascensão (energética) de Ence
Os títulos de Ence valorizam-se este 2026 em 5,18%, com base no preço de fechamento de sessão desta quarta-feira. A empresa pôs em marcha um ajuste no negócio da celulose, que tem como centros de operações as plantas de Navia e Pontevedra. Lá o grupo que dirige Ignacio de Colmenares propôs um ERE vinculado a um plano de eficiência e competitividade com o qual pretende racionalizar os processos operativos e, ao mesmo tempo, incorporar soluções tecnológicas de inteligência artificial e automação. Este roteiro, iniciado após encadear quatro trimestres consecutivos de números vermelhos, convive com o projeto de uma nova planta de fibra recuperada em As Pontes, assim como com os investimentos em instalações de geração renovável.
É precisamente esta área de negócio, a energética, que impulsionou a companhia na bolsa este ano, graças à ordem do Ministério para a Transição Ecológica que atualizou para cima os parâmetros retributivos das instalações de produção de energia elétrica a partir de fontes de energia renováveis, cogeração e resíduos. Os maiores rendimentos das centrais de biomassa do grupo elevaram o seu valor na bolsa e permitiram-lhe corrigir um início de ano negativo no mercado de ações.
As papeleiras portuguesas
As papeleiras portuguesas também incrementam sua capitalizaçãоч