Ignacio Rivera (Estrela Galiza): “É provável que ultrapassemos os 1.000 milhões de euros de faturação este ano”

O presidente executivo da Hijos de Rivera aponta para a fábrica de Morás, o mercado internacional e as novas aquisições como alavancas de crescimento

Ignacio Rivera, presidente executivo da Corporación Filhos de Rivera, durante a apresentação dos resultados do grupo

Ignacio Rivera traça o roteiro do Hijos de Rivera, o grupo que produz e comercializa Estrella Galicia. A companhia cervejeira enfrenta o meio do seu plano estratégico 2025-27 com um crescimento de 6,7% em termos de receitas e de dois dígitos em rentabilidade, mas o executivo corunhês estabelece novas metas. “Voltaremos a dobrar (as receitas) da companhia em 2030”, adiantou.

“As empresas familiares são corridas de revezamento em que sabes que tens que passar o bastão para a próxima geração. Nos anos noventa estávamos em 30 milhões de euros e agora rondamos os 1.000 milhões”, resumiu Ignacio Rivera que apela à “diversificação e internacionalização” para manter uma trajetória de crescimento na qual, além disso, traça outras linhas vermelhas.

“As companhias não estão só para ganhar dinheiro, mas para impactar positivamente a sociedade”, precisou. A seu ver, a fábrica de Morás é exemplo de sustentabilidade ao cobrir suas necessidades energéticas com renováveis e contar com 88% de fornecedores locais. “Agora é preciso enchê-la”, proclamou. “Terminamos a primeira fase, mas já estamos ampliando o envase“, o que permitirá aproximar-se progressivamente de sua capacidade potencial de 1.000 milhões de litros”.

“Esta fábrica era necessária porque nós demoramos para fazer a cerveja. Não rotacionamos os ativos como outros cervejeiros. Fazemos cerveja uma vez por mês e isso requer que tenhamos esta obra faraônica para elaborar este tipo de receitas”, defendeu. Traçando um paralelo com a indústria automotiva, Rivera apontou que os anos 2025 e 2026 serão para a montagem de peças, mas em 2027 “temos que começar a fazer tempos e em 2028, 2029 e 2030 temos que zerar o cronômetro”. “Queremos ser uma empresa cada vez maior, mas continuar sendo diferentes, artesãos, amados e não vender por vender. Ser o mais amado e o impacto positivo faz parte do nosso DNA”, pontuou.

Ingleses e alemães vêm com sede

Ignacio Rivera estimou em 20% a produção que procede de Morás, uma porcentagem que aumentará nos próximos anos. “Crescemos a um ritmo de crise. Crescer a essa velocidade é impossível fazer as coisas perfeitas. Às vezes é preciso respirar”, apontou. O envase, principal gargalo da fábrica de Morás, crescerá “na medida” de uma demanda em que o mercado externo ganha espaço. “O âmbito internacional vai impulsionar a produção“, adiantou.

As vendas no exterior representam atualmente 15% do total, mas essa porcentagem “vai ser maior”, conforme adiantou. “América Latina é uma possibilidade fantástica para a Europa em geral e para a Espanha particularmente. Temos hábitos e costumes parecidos com os da América Latina”, valorizou, antes de mostrar sua felicidade pela evolução da empresa em mercados como Estados Unidos, Brasil, Argentina ou Uruguai. Este último é o segundo maior mercado para Hijos de Rivera em termos de consumo per capita (só atrás da Espanha).

Em chave internacional, o outro foco é a Europa. Após apontar França, Inglaterra e Alemanha como principais mercados, Ignacio Rivera destacou que a Espanha “tem algo importante que é que nos visitam 100 milhões de pessoas. Até 110 milhões. Prevê-se um ano muito bom de turismo e isso nos ajuda muito. Os ingleses e os alemães vêm com sede“, brincou.

Lando Norris e Marc Márquez

Em um 2025 de recordes também pela via dos patrocínios (Estrella Galicia acompanhou Lando Norris em seu caminho ao campeonato de Fórmula 1 e Marc Márquez em seu retorno ao trono do MotoGP), Hijos de Rivera expandiu-se com sua primeira filial na Itália enquanto foca no mercado europeu e americano.

A essa aposta soma-se a realizada no campo da inovação com o lançamento dos sucos Good Good da Auara, o sprite Amara Brava ou o revolucionário Huebox para instalar a cultura das canecas em casa. Mas o lançamento estrela foi o do Rivera Reposada. “É uma barbaridade de cerveja”, expressou Rivera.

Rivera continua comprando

O presidente executivo do Hijos de Rivera reconheceu que a companhia está “aberta a diversificar categoria de bebidas e produtos” e que está “analisando alguma aquisição”. “Alguma poderá haver até o final do ano”, precisou, depois de ter concretizado ao longo do último ano compras como Basqueland ou a galega Vanagandr.

A cerveja representa atualmente 80% do faturamento do Hijos de Rivera, mas sua contribuição ao mix deverá diminuir previsivelmente. Isso não será por uma queda nas vendas de cerveja, que se prevê que continuem crescendo, mas pelo maior crescimento das demais bebidas do seu catálogo. Desde o mundo sem álcool até o vinho, passando pela água e bebidas funcionais. “O mercado de vinhos está se desenvolvendo muito bem e crescendo a dois dígitos“, com Grandes Pagos como carro-chefe.

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