O franquiado da Inditex na Venezuela ampliou sua carteira com Parfois e Mango antes da queda de Maduro
O Grupo Futura Retail, com quase cinco décadas de trajetória, conta na Venezuela com uma rede de cerca de 150 estabelecimentos de marcas nas quais também se encontram outras marcas como ALDO, Timberland, Swarovski ou Miniso
Loja da Parfois- Arquivo
O Grupo Fortuna Retail, franqueado de Inditex na Venezuela, ampliou sua presença no país com a recente abertura de novos estabelecimentos das marcas Parfois e Mango, um movimento que chegou algumas semanas antes da captura de Nicolás Maduro no último sábado pelo exército estadunidense numa operação relâmpago na qual também foi detida sua esposa, Cilia Flores.
No final de novembro, a companhia inaugurou sua quarta loja da marca de acessórios e moda portuguesa Parfois, no estado de Carabobo, no centro comercial Sambil Valencia. Esta é a primeira loja nesta área do centro-norte venezuelano, próxima ao mar do Caribe. Segundo explicava então a diretora comercial de franquias do grupo, Isabel Marval, com esta nova loja, a maior da marca no país, pretendiam “colocar ao alcance da mulher venezuelana todos os acessórios que, de mãos dadas com as tendências mundiais, definem a tendência no momento”.
Não foi a única loja da marca lusa que o grupo abriu em solo venezuelano nas últimas semanas. Uns dias mais tarde inauguraram sua quinta instalação no centro comercial Sambil Candelaria. Os planos a médio e longo prazo da companhia passam por abrir novos pontos de venda em outros centros comerciais, conforme avançava então a imprensa local.
Além de Parfois, o grupo ampliou sua presença no país com uma nova loja da multinacional de moda catalã Mango, a quarta no país, que abriu suas portas no início de dezembro.
Localizada também no centro comercial Sambil Valencia, o novo estabelecimento está inspirado na estética mediterrânea e combina, segundo apontam desde Futura, “o design funcional com a tecnologia avançada”. Entre outros, está equipada com sistemas RFID – que rastreiam, controlam e gerenciam produtos de forma automática usando etiquetas inteligentes – e de análise de comportamento de compra.
“O desempenho sustentado de Mango na Venezuela nos levou a escolher Valencia como próximo destino. É uma cidade dinâmica, com um consumidor exigente e receptivo”, apontou durante a abertura a diretora comercial de franquias do grupo.
As lojas de Inditex
O grupo Futura Retail nasceu há mais de cinco décadas na Venezuela. Atualmente conta com cerca de 150 estabelecimentos de marcas como ALDO, Timberland, Swarovski ou Miniso. Da multinacional liderada por Marta Ortega tem quatro estabelecimentos: Zara, Bershka, Pull&Bear e Stradivarius, inaugurada em outubro passado no centro comercial Sambil, em Caracas, mesmo local onde um ano antes inaugurou a flagship de sua marca estrela. É o maior estabelecimento da Inditex em toda a América Latina, ocupando uma área de 5.000 metros quadrados distribuídos em dois andares.
Foi em abril de 2024 quando Inditex começou seu retorno ao mercado venezuelano, um território onde desembarcou em 1998. Após alguns primeiros anos muito satisfatórios, conforme apontava a imprensa da época, em 2004 o então presidente, Hugo Chávez, chegou a acusar o gigante têxtil de “fraude fiscal”, um apontamento que finalmente não teve seguimento.
O grupo galego optou, não por sair do país, mas por aliar-se a um parceiro local por meio de um contrato de franquia, uma estratégia que seguem em outros territórios. Em 2007 associou-se a Camilo Ibrahim, presidente e principal acionista do Grupo Futura, que assumiu a representação das marcas da empresa e suas lojas.
Ibrahim manteve lojas físicas de Inditex na Venezuela até meados de 2021, quando tomou a decisão de fechar. A multinacional galega chegou a contar com mais de 20 estabelecimentos, embora no momento de sua partida somasse cinco, todas elas em Caracas.