Ofensiva do CC OO para que a Navantia retome a construção naval na antiga Astano
O sindicato apresentou sua proposta para o plano industrial 2025-29 e aposta em recuperar a construção naval em Fene com o objetivo de diversificar sua atividade para além das energias renováveis
Jaquetas para eólica marinha no estaleiro da Navantia em Fene / Navantia
Comissões Operárias coloca deveres à Navantia. A seção sindical da CCOO no estaleiro de Fene aposta em diversificar a sua atividade para além das energias renováveis e reclamou a volta à construção naval, assim como um plano de emprego que assegure o futuro da planta.
O sindicato apresentou a sua proposta para um plano industrial 2025-2029 com o qual busca um regresso às origens. E é que Comissões Operárias alerta para a, a seu ver, crítica situação que enfrenta o estaleiro, com uma previsão de falta de carga de trabalho para este ano de 2026 e um cenário internacional complexo que dificulta a captação de novos projetos.
Por isso defende que Fene não deve limitar-se exclusivamente ao setor da eólica marinha. Assim, o plano aposta em retomar a construção naval, diversificando a produção para sistemas tubulares e blocos em linha. O objetivo passa por recuperar a condição das antigas instalações de Astano como baluarte na construção naval civil (petroleiros, por exemplo).
A estratégia de CC OO
Entre os investimentos chave propostos, destaca-se a recuperação da oficina de blocos planos com maquinaria automatizada e a modernização dos dois diques atuais para permitir tanto a nova construção como a reparação de navios, mencionando especificamente o mercado dos transportadores de gás. Um dos pilares fundamentais da proposta é a drástica redução da dependência da indústria auxiliar.
O objetivo sindical é situar a subcontratação estrutural entre 30% e 35%, recuperando serviços que atualmente estão externalizados. Para isso, o sindicato detalha necessidades de pessoal em áreas críticas, em engenharia e escritório técnico, com a criação de uma equipe própria para CAD, cálculos estruturais e eletricidade.
Na área de produção, a organização aposta na incorporação de pessoal de montagem, caldeiraria e soldagem para garantir o controle direto da qualidade, além do reforço das equipes de combate a incêndios e prevenção de riscos para oferecer cobertura 24 horas, além da contratação de um médico de plantão, indicando que Fene é o único centro de produção sem médico próprio.
Paralelamente, Comissões Operárias também salienta a necessidade de uma manutenção técnica permanente para uma fábrica que supera os 690.000 metros quadrados. Além disso, propõe aproveitar as reformas nos edifícios existentes para implementar sistemas de energia renovável, alinhando o estaleiro com os padrões atuais de sustentabilidade.
O sindicato urge a direção da Navantia a negociar estas medidas para garantir que o centro não fique subutilizado e possa desenvolver todo o seu potencial profissional e industrial e conclui com um apelo: “Sem pessoas não há prazos. Sem emprego próprio não há indústria”.