Uruguai rescinde o macrocontrato com Cardama por “graves incumprimentos”

O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, anunciou a resolução do contrato para a construção de duas patrulheiras ao denunciar a apresentação de "documentação absolutamente falsa" por parte do estaleiro viguês

O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi

O Governo do Uruguai consuma seu golpe a Cardama. O presidente do país sul-americano, Yamandú Orsi, apareceu nesta sexta-feira ao final do Conselho de Ministros para anunciar a rescisão do contrato firmado entre o governo anterior e o estaleiro galego para a construção de duas patrulhas oceânicas tipo OPV por 92 milhões de dólares (cerca de 80 milhões de euros ao câmbio atual).

“Constatamos graves inadimplências por parte do estaleiro em termos jurídicos e contratuais e em termos construtivos”, justificou Orsi. Nesse sentido, o presidente da República do Uruguai lamentou a “inexistência da garantia de fiel cumprimento” diante da apresentação de uma “documentação absolutamente falsa que tinha todo um contexto jurídico, inclusive instrumentos notariais na Espanha falsos para dar uma aparência de autenticidade para que fossem aceitas pelo Estado uruguaio”.

As razões do Governo do Uruguai

“Essa é a garantia de Eurocommerce, uma empresa que já a esta altura foi provado que não existe, que na realidade nunca teve atividade financeira, que o domicílio não existia, que o telefone também não existia, etc.”, censurou, Yamandú Orsi, que destacou que Cardama incorreu em uma “longa lista de irregularidades”.

“O contrato estabelecia que essas garantias deveriam durar 40 meses. Tinha sido aceito pelo governo anterior, em vez de uma garantia de 40 meses, uma garantia anual com renovação que tinha que ser anunciada 30 dias antes do vencimento. No dia 22 de outubro vencia a garantia, no dia 22 de setembro o estaleiro não nos tinha comunicado a renovação”, lembrou Orsi.

“Quando nós, já sabendo da inexistência de Eurocommerce, íamos fazer a coletiva de imprensa e nesse mesmo dia recebemos uma comunicação na qual diz que se esqueceu de comunicar a renovação e o que nos manda é uma renovação da mesma garantia de uma empresa inexistente, inclusive com sérias irregularidades que foram detectadas pela polícia científica, até com o agravante de que se renovava no dia 26 de setembro algo que tinha sido constituído no dia 22 de outubro de 2024, o que é totalmente absurdo.”

Isso está aprovado, foi notificado a Cardama por resolução, foi dada vista ao estaleiro e o estaleiro admite que efetivamente essa garantia é inexistente, sem prejuízo do qual até hoje nunca recebemos nenhuma proposta concreta ou nenhuma nova garantia que substituísse aquela, também não recebemos nenhuma explicação razoável de como se chegou a essa situação”, explicou Orsi.

Quase 30 milhões de euros cobrados

A imprensa uruguaia ecoou na semana passada que em meados de dezembro foi contratada a consultoria belga e com sede na França Bureau Veritas para realizar uma auditoria que não encontrou problemas na qualidade do que até o momento foi montado pelo estaleiro galego e o considerou “satisfatório”.

Apesar disso, segundo o relato dos meios de comunicação uruguaios, o estaleiro galego não havia conseguido cumprir um dos marcos contratuais. Trata-se da entrega a tempo dos motores Caterpillar, depois de o fornecedor estadunidense cancelar o contrato. Em fevereiro do ano passado, o Banco da República Oriental do Uruguai, Álvaro García, realizou um pagamento a Cardama, emitido em forma de carta de crédito, no valor de 8,22 milhões de euros.

Até o momento Uruguai pagou quase 29 dos 82,87 milhões de euros orçados para a construção dos navios. O primeiro adiantamento, no valor de 8,27 milhões, foi feito em dezembro de 2024, seguido por um pagamento do mesmo valor pelo cumprimento do primeiro marco, que foi realizado em março, e um último de 12,34 milhões em junho do ano passado, uma vez notificada a colocação da quilha.

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