Amancio Ortega investiu 860 milhões para entrar na PD Ports e na Q-Park, suas apostas além do setor imobiliário
Pontegadea adquiriu 49% do grupo portuário britânico em 2025 e 20% da empresa de estacionamentos no final de 2024, mas até agora não se conhecia o valor; a compra da australiana Qube, à qual destinará 695 milhões, superará ambas as operações
Amancio Ortega, numa imagem da EFE em Casas Novas, com a sede da Inditex em Arteixo ao fundo
A family office de Amancio Ortega, liderada por Roberto Cibeira, tem diversificado há algum tempo os investimentos do fundador da Inditex para além dos ativos imobiliários, que tradicionalmente concentravam a maior parte dos dividendos que recebe da multinacional têxtil. Com este objetivo, a Pontegadea investiu em renováveis, em redes energéticas, em infraestruturas de telecomunicações e, desde o ano passado, num grupo de parques de estacionamento e num operador portuário.
Entre dezembro de 2024 e julho de 2025, o holding do empresário adquiriu as suas participações na Q-Park, onde controla 20% com a KKR e a Interogo como sócios; e na PD Ports, onde comprou 49% ao fundo Brookfield, que mantém a maioria acionista. As compras de Amancio Ortega eram conhecidas, mas até agora não tinha sido divulgado o montante. A Pontegadea pagou 506 milhões para entrar no operador portuário, e outros 360 milhões para ficar com 20% do grupo de parques de estacionamento, que tem sede nos Países Baixos.
Assim consta nas contas anuais apresentadas pela Pontegadea Shareholdings Luxembourg, a sociedade que executou as operações e uma das filiais da Pontegadea Luxembourg, o grande holding do empresário de onde já controla 9.000 milhões em ativos, como adiantou o Cinco Días. Com estes números em mãos, Amancio Ortega fará o seu maior investimento para entrar numa empresa na Austrália, pois destinará à compra da companhia logística Qube 695 milhões para ter 15% do capital (a que se soma a assunção de dívida). No consórcio investidor para comprar o operador australiano terá outro sócio de renome, a Macquarie, que terá 65% das ações.
O valor da PD Ports e da Q-Park
O dinheiro pago pela PD Ports implica valorizar o operador portuário em 1.030 milhões, enquanto no caso da Q-Park, a valorização sobe até 1.800 milhões. Segundo as contas da Pontegadea Shareholdings Luxembourg, a contribuição destas participadas para o resultado consolidado foi dispar. O grupo britânico contribuiu com um resultado positivo de 327 mil euros, enquanto o grupo de parques de estacionamento gerou perdas de 67 milhões.
Segundo o seu relatório de sustentabilidade, a Q-Park fechou o exercício de 2025 com receitas de 1.079 milhões e um resultado operacional de 376 milhões, 25% superior ao ano anterior. No entanto, não apresentava no documento o resultado líquido de um grupo que está em processo de expansão e, para isso, assumindo elevados custos financeiros.