Naturgy e Norvento ficam sem ‘ligação’ para os seus novos projetos em Meirama
A adjudicação dos 408 megawatts do nó para a central reversível de Tasga deixa de fora outras quatro empresas que concorriam à distribuição de capacidade: Naturgy, Norvento, Field e GNera Energia
A vice-presidente terceira do Governo e ministra para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico, Sara Aagesen / EP
O Ministério para a Transição Ecológica adjudicou a Tasga os 408 megavates de capacidade de acesso do nó de Meirama, a conexão que ficou livre com o fechamento da central térmica de Naturgy. A resolução provisória, assinada no último 27 de janeiro pelo subdiretor geral de Estratégia e Planejamento do Instituto para a Transição Justa, esgota toda a capacidade, ao conceder a totalidade dos megavates à central de bombeamento reversível de Coventina Renováveis, a filial de Tasga que investirá cerca de 440 milhões na localidade corunhesa.
Por sua vez, a avaliação do departamento dirigido por Sara Aagesen deixa fora outras quatro empresas que haviam apresentado projetos para tentar adjudicar-se a conexão e que agora ficam sem rede para seu desenvolvimento. Trata-se de Naturgy, Norvento, Field Iberia e GNera Energía. Todas elas obtiveram uma pontuação inferior à de Tasga no concurso de capacidade.
Essas iniciativas, portanto, precisarão de capacidade adicional de acesso para poderem ser realizadas em Meirama. Para isso é chave o novo mapa da rede de transporte que estão desenhando Red Eléctrica e o Ministério para a Transição Ecológica, do qual dependerão as conexões da eólica marinha e de boa parte dos projetos industriais propostos em solo galego. Nestes se incluem agora os das empresas derrotadas no concurso, no caso de que mantenham seu interesse em desenvolvê-los.
O plano de Naturgy em Meirama
A que mais perto ficou de Tasga foi Field, uma empresa fundada em 2021 e com projetos de baterias operativos no Reino Unido. Competiu com sua filial ibérica e obteve 55,6 pontos, frente aos 73,5 do vencedor. Um pouco mais atrás ficou Naturgy, com 50 pontos. O grupo de Francisco Reynés apresentou um novo projeto ao concurso, pelo que a resolução não afeta outros desenvolvimentos que já tinham em curso, como os parques eólicos Encrobas e Meirama, que contam com permissões de acesso. Também não é que essas iniciativas vão vento em popa, pois fazem parte das instalações eólicas paralisadas de maneira cautelar no Tribunal Superior de Xustiza da Galiza por risco ambiental. Além disso, junto a Repsol e Reganosa, a elétrica decidiu parar a planta de hidrogênio que tinha planejada ao ter dúvidas sobre sua viabilidade econômica.
Outra das empresas que optou pelo nó de Meirama foi Norvento, um dos principais promotores galegos de energia renovável. O projeto do grupo lucense obteve 44,9 pontos, abaixo de GNera Energía, que alcançou 46,2. Ambas estiveram longe da adjudicação. A resolução do Miteco também revela que Coventina, a filial de Tasga, apresentou outros dois projetos ao reparto de capacidade, que não resultaram adjudicatários.