Amancio Ortega e Macquarie conquistam os acionistas da Qube, que aprovam a venda do grupo por 7.000 milhões

O 98% dos acionistas que compareceram à assembleia apoiam a operação, que está pendente de três aprovações regulatórias; uma vez concluída, o que está previsto para os dias 7 e 8 de julho, a Pontegadea controlará 15% do grupo logístico e portuário australiano

O fundador da Inditex, Amancio Ortega, durante o concurso de saltos internacional da Corunha, enquadrado de forma excecional no Longines Global Champions Tour, campeonato de referência no panorama equestre que enfrenta o primeiro dos seus três dias em Casas Novas- EFE/Cabalar

Pontegadea, o holding familiar de Amancio Ortega, deu um passo decisivo para fechar uma das suas maiores operações internacionais fora do setor imobiliário. Os acionistas da Qube aprovaram a venda do operador logístico e portuário australiano por cerca de 7.000 milhões de euros a um grupo de investidores liderado pela Macquarie e do qual faz parte o fundador da Inditex. Fizeram-no numa assembleia realizada nesta terça-feira e com ampla maioria, pois 86,7% dos votos emitidos apoiaram a operação, enquanto 13% votaram contra.

Uma vez concluída, Amancio Ortega controlará 15% da companhia, para o que terá que desembolsar cerca de 700 milhões, como adiantou este meio. O investimento supera os fundos desembolsados para adquirir suas participações na PD Ports, Q-Park, Redeia, Enagás ou Telxius. A Macquarie controlará 65% e a UniSuper terá os 20% restantes. Este fundo, proprietário de 15% do capital da Qube, não votou na assembleia de acionistas por integrar o grupo comprador. Realizou posteriormente sua própria assembleia, na qual também aprovou a operação de forma unânime.

Embora fosse um passo chave para os compradores, Macquarie e Pontegadea ainda devem obter algumas autorizações regulatórias para completar a transferência, que será executada através da sociedade australiana Rubik Australia Pty Limited. Especificamente, devem dar o aval à transação a Junta de Revisão de Investimentos Estrangeiros (FIRB) da Austrália, o Escritório de Investimentos no Exterior (OIO) da Nova Zelândia e a Comissão Australiana de Concorrência e Consumidores (ACCC).

Segundo o calendário apresentado pela Qube, a audiência final no Tribunal Supremo de Nova Gales do Sul para a aprovação definitiva está prevista para 7 de julho, pelo que a companhia será excluída da cotação em bolsa no dia seguinte, 8 de julho.

Um conselheiro da Alcoa, mestre de cerimônias

O conselho da Qube recomendou aos acionistas antes da assembleia, meses antes de fato, que aceitassem a oferta. No dia, foi o presidente, John Bevan, quem dirigiu uma cerimônia mais próxima da prosa que da poesia. “Hoje é um dia significativo na história da Qube”, disse o ex-CEO da Alúmina Limited, coproprietária da refinaria da Alcoa em San Cibrao até 2024, e atual conselheiro do produtor norte-americano de alumínio.

“A Qube cresceu com sucesso desde sua fundação em 2006 até se tornar hoje um fornecedor líder de soluções logísticas com operações na Austrália, Nova Zelândia e região Ásia-Pacífico. Durante este período, crescemos de aproximadamente 150 funcionários e 30 locais para mais de 10.000 funcionários em mais de 200 locais”, acrescentou Bevan, que foi nomeado presidente apenas alguns dias antes de o consórcio de investidores liderado pela Macquarie e Pontegadea, apoiados pela UniSuper, oficializar sua oferta.

O pagamento de 5,20 dólares australianos por ação, explicou o executivo, valoriza o patrimônio líquido da Qube em 5.600 milhões e implica uma avaliação total do grupo, somada a dívida, de 7.100 milhões na cotação atual. Da mesma forma, representa um prêmio de 27,8% sobre o preço da ação no fechamento do dia anterior à apresentação da oferta e de 24% sobre o preço médio dos títulos até a apresentação dos resultados anuais. Macquarie e Amancio Ortega pagarão “aproximadamente” 14,5 vezes o ebitda dos últimos 12 meses da companhia.

Além disso, o conselho da Qube deu luz verde a um dividendo adicional de 0,3465 dólares australianos por ação para adoçar a operação.

Amancio Ortega chega à Austrália

Pontegadea desembarcará na Austrália através de Luxemburgo, a praça que escolheu como base de operações para a maior parte de seus investimentos internacionais. Controlará sua participação através da Pontegadea Logistics Holdings, que por sua vez depende de outra sediada no ducado, Pontegadea Shareholdings Luxembourg. Os quase 700 milhões de investimento irão para um holding australiano onde estarão representados os três investidores: Rubik Australia Holdings Pty Limited. Desta sociedade controlarão a empresa compradora, Rubik Australia Pty.

Segundo consta no folheto da aquisição, a operação conta com o respaldo financeiro de um grupo de nove entidades: Australia and New Zealand Banking, Canadian Imperial Bank of Commerce, Commonwealth Bank of Australia, The Hongkong and Shanghai Banking, ING Bank, Morgan Stanley Bank, National Australia Bank, Natixis e Westpac Banking Corporation. Entre todas comprometeram créditos no valor de cerca de 3.000 milhões com o objetivo de utilizá-los na própria compra da Qube ou na refinanciamento de dívida e linhas de crédito do operador logístico.

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