As franquias, o escudo da Inditex para se proteger em conflitos como o Oriente Médio, contribuem com 7% das vendas

Um 21% da rede de lojas do grupo de Marta Ortega são franqueadas, cerca de 1.150, enquanto aproximadamente 450 estão em territórios afetados pela guerra no Irão. Desses territórios, apenas Israel e Emirados aumentaram o ano passado pontos de venda

O conselheiro delegado da Inditex, Óscar García Maceiras, oferece uma coletiva de imprensa por ocasião da apresentação dos resultados anuais do Exercício 2025, na loja Zara Serrano. Foto: Marta Fernández / Europa Press

21% dos estabelecimentos da rede de lojas da Inditex no mundo operam sob regime de franquia. Uma fórmula que, ao longo dos anos, a multinacional de Amancio Ortega tem utilizado para se proteger, junto com parceiros estratégicos, dos conflitos em zonas sensíveis do globo ou em economias hiperinflacionárias. Segundo seu último relatório anual, recentemente enviado à CNMV, dos 5.460 pontos de venda com que encerrou o exercício de 2025, 1.150 eram franquias, frente aos 1.134 do ano anterior. Desssa quantidade, a maioria distribui-se na zona da Ásia e Oriente Médio. Lá somam 1.053 lojas, das quais apenas 297 são próprias.

Após a apresentação dos seus resultados anuais, o diretor executivo da Inditex, Óscar García Maceiras, insistiu em que o conflito desencadeado no Oriente Médio pela guerra do Irã não teve, pelo menos por enquanto, um impacto notável nas vendas do grupo. Ele insistiu também em que esta situação não deveria levar a um aumento dos seus produtos. “Não estimamos que isso possa impactar em relação aos preços, dado que mantemos há muito tempo uma política de preços estáveis, tentando oferecer aos nossos clientes moda de qualidade, de design, a um preço acessível”.

Assim, ele indicou que duas eram as grandes vantagens da Inditex: trabalhar na zona de conflito por meio de franquias e contar com uma cadeia de suprimentos flexível e muito diversificada no mundo, o que ajuda a minimizar as tensões de transporte causadas pela guerra.

Quanto negócio soma no Oriente Médio?

No entanto, justamente por operar no Oriente Médio por meio de franquia, quase não há números no relatório da Inditex que possam fornecer dados sobre o peso que seu negócio tem nesses territórios. Recentemente Barclays fez seu próprio cálculo, indicando que o negócio representaria “menos de 5% das vendas e dos lucros do grupo” e “aproximadamente 5%” se a Turquia fosse incluída na conta.

O que se sabe, atentendo ao último relatório anual da Inditex, é que em 2025 a companhia registrou um faturamento consolidado de 39.864 milhões de euros. Dessa quantidade, 36.390 milhões provêm de “vendas líquidas em lojas físicas e online” e 2.935 milhões “de vendas líquidas a franquias”, um 3% mais que o ano fiscal de 2024. Com esses números, deduz-se que as vendas à sua rede de franquias representam um pouco mais de 7% das receitas totais. Para estabelecer uma comparação, sempre se estimou que o mercado russo, que abandonou em 2022 e onde operava de forma direta, não através de franquia, com mais de 500 lojas, representava algo mais de 6% das vendas.

Além das vendas em lojas físicas e das vendas a franquias, Inditex também detalha no faturamento do grupo um item de 539 milhões de euros que classifica como “outras vendas e serviços prestados”. Os administradores da companhia no documento consultado por Economía Digital Galiza explicam que os “rendimentos acessórios” estão relacionados principalmente com “royalties“.

E é que Inditex reconhece “as vendas de mercadoria a franquias quando se transfere o controle da mercadoria às mesmas”. Por outro lado, explica que também recebe de seus parceiros franqueados “rendimentos por royalties” que “são reconhecidos à medida que o franqueado faz uso dos direitos obtidos através do contrato de franquia”.

Mais lojas em Israel e Emirados

Se considerarmos que o total de lojas franqueadas do grupo são 1.150 e que as vendas às mesmas teriam representado no último ano cerca de 7% do faturamento do grupo, os rendimentos que vêm da zona do Oriente Médio poderiam estar próximos aos cálculos realizados por Barclays, abaixo dos 5%.

E é que desses 1.150 estabelecimentos franqueados, menos de 500 estariam nas zonas diretamente afetadas neste momento pelo conflito. Territórios que, segundo reconheceu Maceiras, sofreram fechamentos temporários ao longo destas últimas duas semanas por causa do conflito.

No último ano, desses territórios, Inditex, via franquia, apenas teria aumentado o número de estabelecimentos em dois: Israel e Emirados Árabes. No primeiro país passou de 82 para 92 lojas e no segundo de 77 para 84.

Na Arábia Saudita baixou de 167 para 163; no Catar, de 36 para 35; no Kuwait, de 33 para 31; na Jordânia de 18 para 17 e no Omã de 8 para 7. No Barém teria se mantido nos 16 estabelecimentos.

O blindagem da franquia

As franquias funcionam como uma espécie de blindagem para a Inditex, que garante não ter inadimplências. O grupo explica em seu relatório que “gerencia o risco de crédito de sua atividade comercial mediante políticas internas que regulam as condições de cobrança”.

“A maior parte do faturamento corresponde a vendas no varejo, cujos pagamentos são realizados principalmente de forma imediata, em dinheiro ou mediante cartões de crédito”, expõe, para indicar que, além disso, “as vendas a franqueados são realizadas conforme condições contratuais que estabelecem prazos e garantias de cobrança, o que contribui para limitar a exposição ao risco de crédito“.

Comenta el artículo
Avatar

Histórias como esta, na sua caixa de correio todas as manhãs.

Deixe um comentário

ASSINE A ECONOMIA DIGITAL

Cadastre-se com seu e-mail e receba as melhores informações sobre ECONOMIA DIGITAL totalmente grátis, antes de todo mundo!