A Nestlé gaba-se do crescimento na Europa, mas propõe mais de mil despedimentos apenas entre Espanha, Reino Unido e Alemanha
Além dos 301 despedimentos que a empresa presidida por Pablo Isla anunciou no território espanhol, soma 260 nas fábricas alemãs e 450 no Reino Unido
Pablo Isla, novo presidente da Nestlé, ao lado de uma imagem da fachada da sede do grupo suíço em Espanha, em Esplugues de Llobregat, em Barcelona. Fotos de arquivo: EFE e Europa Press
Nestlé, a multinacional suíça de alimentação presidida por Pablo Isla, começa a anunciar em vários países europeus o impacto do ajuste de pessoal anunciado no ano passado e pelo qual pretende prescindir a nível global de quase 16.000 empregados. Nos últimos dias anunciou a intenção de realizar mais de 1.000 despedimentos só entre Espanha, Reino Unido e Alemanha. E isso apesar de o território europeu ter sido o que melhor desempenho teve no primeiro trimestre do seu ano fiscal, segundo os dados divulgados nesta quinta-feira.
A multinacional suíça subiu quase 6% na bolsa no dia em que apresentou os dados correspondentes aos três primeiros meses do seu ano fiscal. O grupo registou uma queda nesse período de 5,7% nas suas receitas até 21.317 milhões de francos suíços, cerca de 23.234 milhões de euros. A queda deve-se, indica, ao impacto adverso da taxa de câmbio.
Resultados por territórios
No entanto, as vendas da Nestlé em termos orgânicos, descontando a taxa de câmbio e as variações do perímetro contabilístico da empresa, registaram um aumento interanual no trimestre de 3,5%, incluindo um aumento de 2,3% no preço.
E, a nível geográfico, o mercado europeu foi o que registou o melhor desempenho. As receitas da Nestlé diminuíram 6,7% na América, com 9.106 milhões de francos suíços (9.924 milhões de euros); enquanto na Europa a faturação caiu 0,8%, até 4.615 milhões de francos (5.030 milhões de euros).
Além disso, as receitas da multinacional na Ásia, Oceania e África somaram 5.216 milhões de francos suíços (5.685 milhões de euros) entre janeiro e março, uma queda de 8,7% face ao ano anterior.
Se forem consideradas as cifras orgânicas, as receitas na América aumentaram 3,8% interanual e 3,9% na Europa, enquanto na Ásia, Oceania e África avançaram 2,4%.
Espanha, Portugal e Turquia
Na documentação enviada ao mercado e consultada por Economía Digital Galiza, os administradores da companhia indicam que “o crescimento na zona europeia foi generalizado em todos os mercados e foi liderado pelas áreas de negócio de café e cuidados para animais de estimação”. “O desempenho deveu-se à priorização de recursos, maior apoio de marketing e uma execução disciplinada, enquanto continuava a transformação do negócio”, apontaram.
A Nestlé destacou ainda o negócio em Espanha e Portugal. “Por mercados, as tendências variaram. Em muitos dos nossos maiores mercados, incluindo Reino Unido e Irlanda, França e Alemanha, o crescimento foi travado pelo segmento de nutrição infantil. O crescimento continua mais forte na Turquia, nos países nórdicos e na Ibéria”, expõe a multinacional.
“Os resultados foram sólidos na maioria das zonas e categorias”, declarou Philipp Navratil, CEO da Nestlé, destacando o crescimento “excecional” nos mercados emergentes, enquanto na Europa e EUA o desempenho foi “robusto”.
Despedimentos nos seus grandes mercados europeus
Apesar do seu desempenho positivo na Europa, a empresa segue em frente com a decisão de realizar uma drástica redução de pessoal, que afetaria 6% do total a nível global.
Em Espanha, esta semana anunciou a intenção de realizar um ERE para “um máximo de 301” trabalhadores de escritórios, equipas de vendas, centros de distribuição e algumas fábricas. Em concreto, as de Pontecesures (Pontevedra), Sebares (Astúrias), La Penilla (Cantábria), Miajadas (Cáceres), Reus (Tarragona) e Girona.
No Reino Unido, outro dos seus grandes territórios no mercado europeu, o sindicato GMB indicou que a multinacional propõe cortar cerca de 450 empregos, principalmente nas fábricas de York e Gatwick.
Quanto ao número, o ajuste seria menor na Alemanha. Segundo a imprensa local, chegará a 260 pessoas e, neste caso, “os cortes afetarão principalmente as áreas administrativas, enquanto as de operações permanecerão intactas”. As sedes de Frankfurt am Main, Düsseldorf e Euskirchen concentrarão a maior parte dos cortes, segundo a imprensa.