O plano de Pablo Isla para eliminar 16.000 empregos na Nestlé gera “medo e incerteza” entre os trabalhadores

CC OO mostra a sua "grande preocupação" pelo plano da Nestlé e assegura que responde mais “ao objetivo de aumentar o valor para os acionistas do que garantir a sustentabilidade a longo prazo da companhia”

Pablo Isla, ex-presidente da Inditex e fundador da Fonte Films / Europa Press

Pablo Isla, ex-presidente da Inditex e agora primeiro executivo da Nestlé, provocou a reação dos sindicatos com seus novos planos para a empresa suíça. CC OO expressou sua “grande preocupação” após o anúncio do diretor-geral mundial da Nestlé, Philip Navratil, sobre a eliminação de 16.000 postos de trabalho em todo o mundo, a maioria na Europa, uma decisão que, segundo o sindicato, responde mais “ao objetivo de aumentar o valor para os acionistas do que a garantir a sustentabilidade a longo prazo da empresa e o bem-estar do seu principal ativo, as pessoas trabalhadoras”.

No passado mês de outubro, foi conhecida a intenção do gigante suíço da alimentação, embora o sindicato tenha denunciado que a Nestlé não forneceu informação adicional à representação legal dos trabalhadores, nem a nível local, nem nacional, nem internacional.

Uma estratégia opaca

“Esta falta de transparência apenas gera medo e incerteza nas equipas, que continuam sem conhecer o impacto real que esta reestruturação pode ter sobre o seu futuro e sustento”, criticou CC OO.

Como organização sindical, CC OO destacou que mantém uma posição “firme e coordenada” junto aos seus colegas na Espanha, em toda a Europa e a nível internacional, para defender os empregos e os direitos laborais durante todo este processo.

Neste sentido, as organizações sindicais integradas na EFFAT e IUF com representação na Nestlé definiram o dia 20 de fevereiro como data limite para que a direção nacional e europeia da empresa atenda duas “exigências básicas”.

Calendário e informação

CC OO exigiu, por um lado, a apresentação de informação financeira e de pessoal completa, relevante e atualizada, que inclua o possível impacto por centros e localizações, tanto aos representantes nacionais como ao NECIC.

Por outro lado, solicitou concordar com a representação sindical um calendário concreto para o processo de informação e consulta, a nível nacional e europeu.

CC OO considerou “completamente inaceitável” que a empresa não facilite esta informação antes da data limite, ao entender que isso representaria uma “violação” dos direitos fundamentais de informação e consulta e destruiria qualquer confiança de que a Nestlé esteja agindo de “boa fé”.

Sofrimento

Durante a reunião presencial do Foro Estatal realizada nesta quinta-feira em Madrid, a direção da empresa reconheceu não dispor de nova informação sobre possíveis demissões. Face a esta situação, CC OO, como força sindical mais representativa na Nestlé Espanha, entregou pessoalmente o documento à direção de Recursos Humanos, exigindo formalmente que a informação seja facilitada antes do dia 20 de fevereiro.

Além disso, o sindicato lembrou à empresa o importante peso da equipe da Nestlé na Espanha e que já em anos anteriores se “sofreram” decisões empresariais que resultaram em perda de empregos, como o plano de baixas voluntárias no centro de Esplugues (Barcelona) e em centros descentralizados, além da perda de postos de trabalho e de produção na seção do N81 descafeinado da fábrica de Girona.

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