Adeus à primeira loja da Zara: Inditex anuncia o fechamento após a grande reforma pelo seu 50º aniversário

A companhia anuncia aos empregados a sua decisão de fechar o histórico estabelecimento na rua Juan Flórez, em A Coruña, e de recolocar dentro da cidade os seus empregados

Ramón García trabalhou na renovação da Zara de Juan Florez em A Coruña / Inditex

Inditex decidiu fechar a primeira loja do mundo da Zara, o germe do gigante que é hoje a multinacional fundada por Amancio Ortega. Trata-se do histórico estabelecimento localizado nos números 64-66 da rua Juan Flórez, em A Corunha, que no último ano completou 50 anos, os mesmos que a marca-estrela do grupo. Para o aniversário, a companhia optou por uma grande reforma e por transformar o ponto de venda, que desde então contava com coleções exclusivas.

Segundo confirmou a companhia, a empresa anunciou nesta mesma quinta-feira à equipe a intenção de fechar o histórico estabelecimento, dentro da política começada há já anos de ir fechando os estabelecimentos menores das cidades e optar por grandes flagships, como o que tem uns metros mais abaixo na cidade, na rua Compostela.

Inditex teria oferecido a todos os empregados da loja de Juan Flórez, 11 no total, continuar dentro da empresa, realocados em outras localizações mas dentro da cidade de A Corunha.

A história do primeiro Zara

Junto com Rosalía Mera, foi em 1975 quando Amancio Ortega abriu as portas do primeiro Zara do mundo em A Corunha, a apenas 200 metros da camisaria Gala, onde começou sua trajetória trabalhista, de adolescente, despachando e fazendo entregas.

Lembra Covadonga O´Shea na obra Assim é Amancio Ortega, uma biografia não autorizada –como todas as publicadas– mas considerada como mais oficialista, que de Gala passaria a La Maja, onde conheceu Rosalía Mera. O próximo passo seria o nascimento de GOA, companhia que impulsionou junto ao seu irmão Antonio, sua cunhada e sua primeira mulher e que se dedicava à fabricação das famosas batas de boatiné da época. Em apenas uma década passou a contar com mais de 500 trabalhadores. No entanto, o germe do império têxtil, quando Ortega Gaona decidiu apostar pela distribuição, se encontra na loja de Juan Flórez.

«Desde que comecei a trabalhar tinha uma ideia que me obcegava: por que não posso inventar algo diferente a tudo que há no mercado?», diz Ortega em uma das muitas citações textuais do fundador de Zara que são recolhidas no livro de O´Shea.

Explica também o jornalista Xabier R. Blanco, autor, junto a Jesús Salgado, do livro De zero a Zara (Esfera dos livros), que Amancio Ortega sempre prestou muita atenção à vitrine das lojas, para ele, naquele momento, o grande atrativo para a venda. “As primeiras vitrines de Zara eram muito comentadas na cidade. Um dia a clientela se surpreendia com uma fazenda, outro uma barra de um bar envelhecida, tipo taberna irlandesa, uma reprodução de um porto. Acreditava que a vitrine, então, era 90% da venda“, expõe.

Remodelação

Após meses de reforma devido aos fastos relacionados com o 50 aniversário de Zara, no dia 9 de maio do ano passado, Inditex reabriu sua primeira loja. O emblemático estabelecimento já não era uma loja ao uso, mas quase uma boutique, com cafeteria, biblioteca e design próprio. Reabriu além disso com uma coleção exclusiva de peças pelo 50 aniversário da marca que não estavam ofertadas em outros estabelecimentos.

A remodelação da loja, que correu a cargo de históricos fornecedores da companhia, pretendia ser também uma homenagem a A Corunha, pois imitava em seu interior às históricas galerias da cidade. O design, que correu a cargo da equipe de arquitetura própria de Zara, também continha fotografias e resenhas que foram mudando ao longo do ano de trabalhadores com décadas de trajetória na companhia.

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