Os pactos da UE com o Mercosur e a Índia pavimentam a expansão da Inditex, em retrocesso na China e sem Rússia

A têxtil de Amancio Ortega tem mais caminho para crescer na Índia, onde acaba de ganhar peso na 'joint venture' que mantém com o gigante Tata, e no Brasil, país no qual já ganha 140 milhões com 50 lojas e no qual desembarcará Bershka como terceira cadeia

Óscar García Maceiras, CEO da Inditex, e Marta Ortega, presidente não executiva, à entrada da assembleia geral de acionistas do grupo, em Arteixo. EFE/Cabalar

Aguardando para ver como finalmente se concretizan los recientes acuerdos comerciales da União Europeia com Mercosur e com a Índia e deixando de lado os fortes protestos que o primeiro desencadeou no setor agroalimentar, a imagem fixa de ambos reflete novas vendas de oportunidade para Inditex, a companhia de maior capitalização no Ibex. Os de Marta Ortega e Óscar García Maceiras atravessam um momento doce, novamente com o favor dos analistas e do mercado e com a previsão de voltar a aumentar o ritmo de vendas. Mas os de Arteixo sabem que para crescer ainda mais precisam seguir investindo e fortalecer-se em novos mercados. É certo que se expandem na Europa e nos EUA, mas também é verdade que já não estão, como o restante das têxteis comunitárias, no outrora pujante mercado russo e que o mercado chinês leva anos recolhendo-se para as marcas ocidentais.

Por um ou outro motivo, a verdade é que para Inditex, os tratados de Mercosur e da Índia, que teoricamente facilitarão a exportação das empresas europeias, apanham-na em plena expansão tanto no país asiático como no Brasil. Mais caminho para crescer.

Mercosur

Segundo a Comissão Europeia, o acordo com o Mercosur que preocupa os produtores galegos vai facilitar a exportação às empresas da UE que fabricam e vendem no setor agroalimentar, maquinaria, produtos farmacêuticos, automóveis e têxteis e vestuário.

O organismo comunitário defende que os tradicionalmente elevados impostos de importação do Mercosur encarecem os produtos europeus nessas latitudes. “O acordo eliminará os direitos de importação sobre mais de 91% dos produtos da UE exportados ao Mercosur. Os direitos para alguns produtos serão liberalizados durante períodos de escalonamento mais longos, para que as empresas dos países do Mercosur disponham de tempo suficiente para se adaptarem”, explicam. Atualmente, o Mercosur impõe altos impostos nas importações de produtos europeus: 35% aos carros mas também a roupas e têxteis e sapatos de couro. Destacam também impostos de entre 20 e 35% às bebidas espirituosas, 27% ao vinho, e entre 14 e 18% a peças de carros.

Atualmente, Galiza exporta principalmente para esses países veículos, maquinaria e equipamentos elétricos. Do lado contrário, no das importações, quase 90% dos produtos que chegam à comunidade provêm do setor agroalimentar. Os últimos dados do IGE (Instituto Galego de Estatística) para um ano completo, o de 2024, situam em 862 milhões as importações galegas, dos quais 700 milhões estariam vinculados à indústria alimentícia.

A moda olha para o Brasil

Mas, além dos dados galegos, neste cenário, dos quatro países que formam o Mercosur (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai), é o território brasileiro que atrai os olhos dos grandes da moda, como território em expansão com maior poder aquisitivo. E isso, é claro, também inclui a Inditex, que já há anos cresce nesse mercado de forma discreta. Assim dizem seus números.

Segundo a informação consultada por Economía Digital Galiza, no fecho do seu exercício fiscal 2024, justo há um ano, em fevereiro, Inditex alcançou no país sul-americano um resultado antes de impostos de 142 milhões frente aos 167 milhões de euros do ano anterior. Está ainda longe das métricas de outro de seus mercados estrela na América (além dos EUA), México, com 498 milhões, mas não tanto, por comparação, com fortes praças europeias. Por exemplo, Alemanha, onde se anotou um resultado antes de impostos de 166 milhões, ou Reino Unido, onde chegou aos 179 milhões.

Além disso, conta com muito menos lojas. Segundo seu último relatório anual, no início do ano passado, Inditex somava 54 lojas no Brasil, frente, por exemplo, aos 112 estabelecimentos da Alemanha. Além disso, operava apenas com duas marcas: Zara (45 pontos de venda) e Zara Home (9). Contava no território, além disso, com 3.226 empregados, sendo um dos países do globo onde aumentou o quadro de funcionários (3.161 trabalhadores em 2023).

Essa situação, no entanto, está a ponto de mudar. Um fato que mostra o potencial do mercado brasileiro para Inditex e a moda europeia em geral ante este novo cenário. Há pouco menos de duas semanas que meios brasileiros informaram da próxima chegada de Bershka no país. Afirmam que neste primeiro semestre abrirá sua primeira loja física no centro comercial Morumbi, em São Paulo, período no qual também lançará sua plataforma de comércio eletrônico.

A Índia, fornecedora do têxtil

A Índia é outro encla…

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