S&P avala o investimento de Amancio Ortega em estacionamentos e prevê que Q-Park cresça até 15% ao ano
A agência de classificação estadunidense volta a avaliar a Q-Park por causa de uma emissão de títulos e conclui que a sua dívida se manterá em torno dos 4.600 milhões até 2027 e que terá margem para investir 150 milhões por ano
Imagem de arquivo de Amancio Ortega / EFE
Standard & Poor’s está prestando atenção a Q-Park, embora não pareça estar especialmente preocupada pelo grupo de estacionamentos detido por Pontegadea, que em dezembro de 2024 adquiriu 20% do capital. Em dezembro, a agência de classificação emitiu uma avaliação para aumentar para BB a classificação da empresa com sede na Holanda e agora atualiza sua análise devido à emissão de títulos de 630 milhões destinados a, segundo a empresa americana, refinanciar dívidas de emissões anteriores. E a análise não varia muito em relação às perspectivas da empresa na qual entrou Amancio Ortega e que tem como principal acionista a KKR, embora ofereça alguma previsão adicional.
S&P atribui a mesma classificação BB aos títulos e entende que terão um efeito neutro no alavancamento da empresa, que opera 5.521 estacionamentos com quase 1,2 milhões de lugares distribuídos entre Holanda, França, Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Dinamarca e Irlanda. A dívida, segundo a agência, manter-se-á estável entre 4.600 e 4.800 milhões para o período 2025-2027, considerando a emissão como uma mera operação de gestão de passivos.
A maior confiança da empresa americana no investimento de Amancio Ortega deve-se ao fato de esperar que mantenha uma gestão financeira disciplinada e sustente um importante ritmo de crescimento graças às aquisições de empresas de pequeno porte. Q-Park adquiriu meia dúzia de operadores em um ano e meio. Estas integrações permitirão que o grupo aumente seus rendimentos entre 7% e 15% durante o período 2025-2026, “impulsionado pelas revisões de preços e a integração bem-sucedida das aquisições”, diz S&P. Em relatório anterior, estimava-se que em 2025 os rendimentos cresceriam 15% e em 2026, 8%, embora sem contar possíveis compras.
Com esta evolução, a empresa, que tem em seu órgão supervisor a Roberto Cibeira, o CEO da Pontegadea, e a Andrés Moreno, diretor de investimentos, superará os 1.000 milhões em volume de negócios.
Os investimentos da Q-Park
“Prevemos que Q-Park continuará buscando crescimento de forma oportunista, mas sem um aumento significativo do alavancamento, e acreditamos que o grupo priorizará o crescimento sobre os dividendos”, reitera S&P em seu novo relatório, onde aponta que o grupo continuará mirando em ativos relativamente menores a múltiplos razoáveis, com investimentos de cerca de 150 milhões de euros por ano, incluindo essas aquisições.
A agência valoriza especialmente a “posição sólida no mercado” da Q-Park pela sua base de contratos “diversificada” e a “longo prazo”, pela grande carteira de imóveis do grupo e sua “exposição geográfica”. Aproximadamente, 45% das instalações que gere são de sua propriedade. “Consideramos que as propriedades têm um alto valor de substituição, pois estão em localizações estratégicas e a empresa poderia converter o espaço para um uso alternativo sem nenhuma aprovação externa”, acrescenta S&P.
A perspectiva de um dividendo contido mas com esforço no crescimento da empresa pode encaixar numa estratégia a longo prazo da Pontegadea, que chegou à Q-Park como parte do processo de diversificação dos investimentos do principal acionista da Inditex, que em 2025 adquiriu 49% da PD Ports. Para além do sector imobiliário, Amancio Ortega também é acionista, através da holding familiar, da Redeia, Enagás, Enagás Renovável e da portuguesa REN, gestora da rede elétrica e gasista do país vizinho. Além disso, participa em projetos renováveis com a Repsol e é sócio da Telefónica na sua filial de cabo submarino, Telxius. Ali partilhou acionariado com KKR, acionista majoritário da Q-Park, que saiu da empresa em 2022.