Uma auditoria encomendada pelo Governo do Uruguai considera “satisfatória” a qualidade dos navios de Cardama

O Executivo de Yamandú Orsi contratou em meados de dezembro a consultora Bureau Veritas para que fizesse uma avaliação sobre a qualidade dos materiais e da soldadura da construção das patrulheiras sobre as quais o Uruguai suspeita indícios de "fraude"

Vista exterior do estaleiro viguês Francisco Cardama SA / Europa Press

No final de outubro, o Governo do Uruguai anunciou o início das ações para rescindir o contrato com o estaleiro viguês Cardama a quem encarregou a construção de duas patrulhas oceânicas (OPV) por 82,5 milhões de euros. O Executivo liderado por Yamandú Orsi iniciou uma série de ações para contar com o maior número de provas possíveis para demonstrar os incumprimentos da empresa no processo. Uma delas é uma auditoria sobre a qualidade dos materiais e da soldadura na construção dos navios.

Conforme avança o jornal El País UY, em meados de dezembro foi contratada a consultora belga com sede em França, Bureau Veritas, para realizar uma auditoria na qual não encontrou problemas na qualidade do que até esse momento foi montado pelo estaleiro galego e o considerou “satisfatório”.

“Sobre os registos e qualidade da fabricação, montagem e soldadura dos 16 blocos já construídos e montados no estaleiro, verificamos na nossa inspeção que é satisfatória, apesar de os blocos terem sido construídos e soldados por cinco oficinas diferentes. Estamos com um projeto estrutural de baixo peso em rosca, com aço de alta resistência e chapas de espessura reduzida, e que constitui uma solução tecnicamente válida para otimizar as capacidades de velocidade e autonomia dos navios”, assinalava um dos pontos da auditoria.

Bureau Veritas apontava no documento que o tipo de design “exige maior precisão nos processos de montagem e soldadura, assim como um controlo de qualidade mais rigoroso durante a fabricação dos blocos, dado a maior suscetibilidade das chapas finas a sofrerem deformações e a apresentarem desvios dimensionais que podem exceder as tolerâncias admitidas pela normativa da Associação Internacional de Sociedades de Classificação” (IACS na sua sigla em inglês).

Atrasos na construção

Esta mesma semana o jornal Búsqueda avançou que a consultora deu conta de atrasos na construção além de incumprimentos no processo de obtenção dos certificados de bandeira uruguaia, um requisito contemplado no contrato assinado no final de 2023. Nesse documento – Mario Cardama e o ex-ministro uruguaio Javier García – estabelecia-se que no momento da entrega dos navios teriam que ser “matriculados em nome do comprador”, que assumiria os custos e, em qualquer caso, deveriam ser construídos aplicando a normativa vigente para “serem embandeirados na República Oriental do Uruguai”.

Conforme publica a imprensa uruguaia, o estaleiro galego não conseguiu cumprir com um dos marcos contratuais, em concreto, o da entrega a tempo dos motores Caterpillar, depois de o fornecedor norte-americano ter cancelado o contrato. Em fevereiro do ano passado, o Banco da República Oriental do Uruguai, Álvaro García, realizou um depósito para Cardama, emitido na forma de carta de crédito, no valor de 8,22 milhões de euros.

O Executivo uruguaio teria enviado à companhia os resultados da auditoria da Bureau Veritas, bem como os problemas encontrados na documentação relativa à garantia de reembolso (que neste caso é de 10% do contrato, 8,2 milhões de euros) emitida pela empresa Redbridge Insurance Company.

Até agora o Uruguai pagou quase 29 milhões dos 82,87 orçados para a construção dos navios. O primeiro adiantamento, no montante de 8,27 milhões, foi feito em dezembro de 2024, ao qual seguiram um pagamento pelo mesmo montante pela concretização do primeiro marco, que ocorreu em março, e um último de 12,34 milhões em junho do ano passado, uma vez notificada a colocação da quilha.

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