Oca, Hotusa, Carrís, Sandra e Amancio Ortega, os Chousa… Galiza ganha peso no setor hoteleiro de Portugal
A última cadeia hoteleira a anunciar seus planos de expansão em território luso foi a compostelana Oca, que em 2028 abrirá um estabelecimento de cem estrelas na plena área financeira do Porto
Ilustração com Sandra e Amancio Ortega e Juan Carlos Escotet
A cadeia Oca anunciou no início desta semana a sua nova aposta no Porto: um hotel de cinco estrelas, cuja abertura está prevista para março de 2028. Com este movimento, a companhia presidida por David Caramés dá um passo “estratégico” para consolidar sua presença em Portugal. Esta expansão do negócio hoteleiro não é estranha dentro do empresariado galego. Outros grandes grupos da comunidade, como Pontegadea ou Rosp Corunna —os holdings de Amancio Ortega e sua filha Sandra— ou Dmanan, dos antigos donos de Ingapán, também têm reforçado nos últimos anos a sua aposta pelo mercado português.
O novo estabelecimento da compostelana Oca Hotels, contará com 145 quartos, um restaurante panorâmico no piso 14, área de spa e salas destinadas a reuniões e eventos, e estará localizado na área financeira da urbe lusa, na Avenida do Bessa, a cerca de 300 metros da Avenida da Boavista.
Caramés destacou o trabalho da companhia por “reforçar a aposta por ativos de alta qualidade, em localizações prime e com uma visão de longo prazo”. Com este novo hotel a companhia elevará a 15 o seu portfólio de estabelecimentos abertos, seis dos quais se encontram em Portugal, um no Brasil e sete na Espanha, cinco na Galiza e dois nas Astúrias.
O resort de luxo de Sandra Ortega
Mais além do anúncio da Oca, um dos marcos mais esperados para este ano dentro do setor é a abertura do resort turístico que Sandra Ortega, segunda fortuna de Espanha, desenvolve há quase uma década em Comporta, um paraíso natural a hora e meia de Lisboa. Meios internacionais como The Telegraph, Financial Times ou The Standard qualificavam no início do ano a abertura como uma das mais destacadas do momento. Também o jornal britânico The Times o incluiu no seu listado dos melhores 24 hotéis do mundo.
A origem do projeto remonta a 2016 quando Sandra Ortega fechou um acordo com Sonae Capital para adquirir por uns 50 milhões de euros uns terrenos da península de Troia, enclave de grande valor natural e crescente atração turística. As obras começaram em 2021, embora dois anos mais tarde chegaram a estar paralisadas após uma decisão judicial.
Ainda que foi evoluindo com o tempo, na fase de exposição pública do complexo Na Praia previa-se a construção de um hotel de cinco estrelas ao que se somam “aldeias” turísticas, também de luxo, instalações desportivas e de lazer como um spa, campo de ténis, ginásio e piscina. A área de influência do complexo abrange umas 96 hectares, onde se distribuirão um total de 123 unidades de alojamento, com capacidade para mais de 500 hóspedes. O orçamento inicial rondava os 250 milhões de euros.
Após o projeto encontra-se Ferrado Nacomporta, filial de Rosp Corunna. A filha de Amancio Ortega e Rosalía Mera conta nele com um sócio minoritário, o arquiteto José Antonio Uva, dono de Estúdio Lisboa. Tal como adiantou este meio, está previsto que o complexo abra ao público em junho deste ano.
A aposta hoteleira de Amancio Ortega
O fundador de Inditex também apostou pelo setor do turismo de luxo em Portugal. O seu braço investidor, Pontegadea, conta com uma ampla carteira imobiliária cuja avaliação supera os 20.000 milhões de euros. Embora a maior parte dos seus ativos sejam edifícios de escritórios, comerciais ou ativos logísticos, também conta com hotéis, alguns deles em Portugal.
Segundo a imprensa lusa, Ortega é proprietário da metade do centro comercial Tívoli Forum e do de Amoreiras Plaza, além de duas lojas no bairro de Chiado, uma ocupada por Massimo Dutti e outra por Muji, e dez edifícios onde estariam funcionando o mesmo número de hotéis.
Um dos grandes sócios hoteleiros do Pontegadea em Portugal era a cadeia Accord, que chegou a gestionar oito hotéis. Pelo menos um mudou de mãos: o hotel de Figueira da Foz, de 110 quartos, que atualmente o gere a hoteleira portuguesa Vila Galé.
O hotel de luxo de Sogevinus
As investimentos galegos no turismo luso têm-se acelerado nos últimos exercícios, ao calor da subida do turismo. O 1 de fevereiro de 2025 abriu suas portas Tivoli Kopke, um hotel de luxo levantado sobre as adegas –que presumem ser as mais antigas do mundo– à beira do Douro (Porto) com 150 quartos, ginásio, piscinas e amplos jardins com terraços que lembram aos vinhedos. A exploração do estabelecimento leva-a a marca da propriedade Minor, ainda que os ativos pertençam a Sogevinus, filial lusa especializada no setor vitivinícola presidida por Juan Carlos Escotet e que Abanca herdou de Caixanova.
A entidade presidida por Julio Fernández Gayoso desembarcou no negócio luso em 1995 após fazer-se com o 20% do capital da sociedade, que por aquele então eram proprietárias das adegas Cálem. Em cinco anos fizeram-se com a totalidade da sociedade, ainda que seus ativos não pararam de ming